Depoimentos

Depoimentos: 

Leonardo Dias (ganhou bolsa para o Chicago Human Rhythm Project, 2012)

Oba! To a horas pra escrever pra vocês. Fui e voltei de Chicago e ainda não parei pra dar um oi, uma noticiazinha!

Foi tão, tão, tão, demais. Mesmo. Pra começar que eu não tinha ido aos EUA ainda. Sabem como é, né, o cheiro da estranheza e da novidade, o ritmo das coisas que não se conhece… experiencia mágica, das que não se esquece. Gastei muita sola de sapato naquelas ruas, farejei os cantinhos, curti MESMO. O Dunkin Donuts que o diga.

E quanto ao que fui fazer la… meu, o festival é fantástico. Quer dizer, as aulas foram de uma seriedade, de um … por assim dizer… comprometimento com a valorização e perpetuação da forma de arte, entende? Fiz aulas com Diane Walker, Dormeshia, Derick Grant, Randy Skinner, Nicholas Young (foi substituir a Michelle, que teve um a problema de família e não foi… mas excelente a aula dele.)

Embora o festival tenha uma cara menos “galera junta fazendo festa” do que nós , brasileiros, talvez preferíssemos, o aprendizado foi fenomenal. O mais marcante para mim, tanto nas aulas quanto nas noites do Juba, foi ver a diversidade enorme de abordagens didáticas/técnicas. Os muitos caminhos possíveis que os mestres estão criando para chegar a resultados igualmente maravilhosos, mas completamente distintos entre si. Fiz aula com Sam Weber, e o cara me disse uma frase que mexeu em todos os meus flaps e shuffles e resolveu problemas de alunos meus para os quais eu já não tinha solução. Vi a velocidade sendo tirada não só do tronco baixo, mas da vertical, da diagonal, das espirais, do leve, do pesado… vi muito movimento, vi pouco movimento…. em suma. Vi muitos caminhos individuais que  com certeza contribuíram para que eu aceitasse o dato de que, no fim das contas, o lance eh aceitar o seu próprio caminho.

De tudo que ouvi, duas frases do Derick. Uma: We are a growing community, but also a bored one (referindo-se ao fato de que todos querem ser rapidos e fortes… e iguais. dai ele sobre em cena no Juba e da meia duzia de maravilhosas notas brincando com o piano… lindo). Outra: clarity…clarity… clarity.  Ele tava numa batalha pela construção do raciocínio e da clareza no improviso, em lugar da ansiedade de se fazer tudo ao mesmo tempo. Que é aonde a coisa vira arte, né?

Bueno… impressões! Na verdade a intenção do Email, antes de qualquer outra, eh mandar um abraço carinhoso a voces, agradecer essa oportunidade (once in a lifetime!) e devolver um pouco do carinho que o Tap in Rio tem com o tap brasileiro.

 

“Oi, eu sou a Gabriela Santos, sapateadora gaúcha, fui contemplada com uma bolsa para o New York Tap City Festival 2011 através do Tap in Rio 2011. Queria começar este depoimento contando que minha experiência no Tap in Rio por si só já foi maravilhosa! Os cursos, a jam session, os bate-papos e a noite de apresentações foram incríveis, mas adorei principalmente conhecer sapateadores muito competentes e especiais, além de passar a semana nesse lugar lindo que é o Rio de Janeiro. Foi tudo incrível! O Tap in Rio superou todas as minhas expectativas!

E qual não é a minha surpresa quando além de ter adorado o Tap in Rio, eu ganhei a bolsa para o festival de Nova Iorque! As bolsas são escolhidas pelos professores dos cursos e eu fiquei muito, muito, muito feliz por esse reconhecimento. Não medi esforços para conseguir ir para essa viagem.

Em Nova Iorque tudo parece um sonho, parece que estamos dentro de um filme! E foi mais surreal ainda quando eu estava ali, lado a lado com meus maiores ídolos do sapateado! O New York Tap City Festival é perfeito! Em média 8 horas de aulas maravilhosas por dia, jam sessions, sendo uma delas dentro de um barco ao balanço do Hudson River e com a Estátua da Liberdade de cenário, um banho de história do sapateado com as personagens atuantes desta história, sapateadores do mundo inteiro, apresentações de tirar o folego dos professores e a chance de sapatear no Symphony Space Theatre da Broadway!

Eu fui a vencedora da concurso Take to the Studio do festival e dancei um solo na Broadway com Brenda Bufalino, Jason Samuels, Chloe Arnold, Michelle Dorrance, Dormeshia, Barbara Duffy, Ray Hesselink, entre outros grandes nomes sentados na plateia.  Quando voltei para Porto Alegre, a repercussão desta viagem foi muito importante para minha carreira. O único problema de ter ganho essa bolsa é que não da vontade de ir embora de Nova Iorque! Muito obrigada Tap in Rio por esta oportunidade mais que especial!”

Rafael Silva, vencedor da bolsa 2011 para New York, Tap City Festival escreve: “Três sonhos em um… É assim que posso definir a minha estadia em New York. O Tap City era um dos sonhos que realizei graças ao Tap in Rio. Professores fantásticos, cursos maravilhosos, noites inesquecíveis, eventos imperdíveis! A vivência em um festival deste porte é algo que todo sapateador deveria experimentar. O intercâmbio cultural é sensacional. Outro sonho realizado foi conhecer a minha família. Nunca tinha tido a oportunidade de pegar um avião para conhecê-los, e todos me ajudaram demais a realizar o meus sonhos. O terceiro sonho era New York City… Dispensa comentários… Muito obrigado, Tony Waag, muito obrigado, minha família, MUITO OBRIGADO, TAP IN RIO!!”

Charles Renato ofereceu o seguinte depoimento: “Gostaria de contar a historia de alguns talentos brasileiros jovens, porem únicos, no qual tive o prazer de presenciar esse ano. Em Janeiro de 2011 estive mais uma vez no festival TAP IN RIO, organizado por Adriana Salomão e Steven Harper. Consegui la a oportunidade de presenciar de perto os primeiros passos dessa jornada dos protagonistas desta historia. O festival por sua credibilidade e competência oferece aos alunos de maiores destaques BOLSAS nos mais importantes festivais do Brasil e EUA. Ver esses talentos, entrando em uma JAM (muitos pela primeira vez) e saindo com a sensação de “uaal, foi muito melhor do que eu pensava” me fez perceber quanto ainda estamos engatinhando.

Tive a oportunidade de colaborar com boa parte desses felizardos bolsistas internacionais, a conseguir seus papeis e documentos necessários para ingressar na famosa AMÉRICA!! Acompanhei de perto cada conquista de centavo a centavo para bancar essa viagem, algo praticamente impossível de se realizar para muitos deles baseado em seus valores. Como sonhar e acreditar, não tem preço nem limite… YES WE GET IT!! Hora de fazer as malas, sapato… checado!! PERFECT as malas estão prontas!!

Viajando comigo estão Mariana Sever, ganhadora do Desafio Tap In Rio e bolsa CHRP e Maira Ovalle bolsa L.A. Tap Fest. Pousamos em Chicago. La nos juntamos ao imenso comite brasileiro de sapateadores. Samanta Varela e seus 30 alunos, mais Denis Morita, Marina Coura e Elisa Pritsopoulos. Ao total quase 40 sapateadores brasileiros no Chicago Human Rhythm Project. Depois dos EUA, o segundo país em números de participantes no festival. Tivemos uma semana maravilhosa com aulas, palestras, apresentações e Jam session. O festival seleciona trabalhos por vídeos na internet e coloca para votação popular… o mais votado se apresenta no projeto JUBA do festival ao lado dos professores e companhias profissionais dos EUA. E claro que deu BRASIL!!! Na noite do student show case…. mais uma vez BRASIL! Os trabalhos coreográficos brasileiros foram os mais bem comentados… todos vão ao encontro dos bailarinos brasileiros para elogiar. Pronto missão cumprida… o INTERCÂMBIO esta feito… todos nos corredores trocando figurinhas e experiências. Ao meu ver, o maior prêmio a se ganhar… o conhecimento! No final todos a postos para a foto com a bandeira brasileira.

Saímos de Chicago e embarcamos para Los Angeles. La encontramos um clima completamente diferente, um sapateado diferente. Chegando lá encontramos mais personagens. De Araguari-MG Guilherme, Giuliano (Ganhador do Desafio Tap In Rio) e Marcos Paulo, todos bolsistas do festival de L.A. oferecido pelo Tap In Rio. Roberto Gomes de Registro-SP também bolsista pelo Tap In Rio e Melissa Tannús de Uberlandia-MG marcam presença juntando comigo, Mariana, Marina, Maira e Elisa. Todos maravilhados com a terra do cinema e descobrindo que Los Angeles nao tem apenas filme nao… muitos sapateadores incríveis, ágeis, técnicos e com apenas 10 anos. La eles perceberam que ainda falta muitooo para trilhar, mas não perderam as forças e fizeram aulas incríveis com professores da Broadway e do So You Think You Can Dance. Tive a oportunidade de representar o Brasil na grade de professores, ensinando um pouco do nosso sapateado. Diferente de Chicago, todos apreenderam coreografias nas salas de aula e dançaram ao lado dos aclamados professores no Teatro de Los Angeles. O mais interessante de presenciar foi o estilo coreográfico… TEATRO MUSICAL! E o Brasil mais uma vez fez bonito… com nossos bailarinos recebendo papeis de destaque nas coreografias!!!

No cutting contest (desafio de improviso) mais uma vez tivemos o BRASIL duas vezes selecionados entre os melhores. Na final eu e Roberto marcamos a presença do ritmo brasileiro ao lado de americanos e suíços.

Na noite de apresentação dos estudantes tivemos muito, mas muito mais BRASIL. Roberto e Melissa fizeram um duo lindo, desenvolto e tipicamente brasileiro. Os meninos de Araguari mostraram energia e animação. Ainda tivemos mais dois trabalhos dirigidos por mim e Marina Coura. No final fomos citados como exemplos de que o sapateado brasileiro esta crescendo cada vez mais. Chegando mais próximo dos níveis americanos, palavras do diretor do festival Jason Samuels Smith. Ao final a típica foto com a bandeira do Brasil e ao som de OLODUM (musica que, por surpresa, foi mostrada no carro de uma professora americana) fomos nos despedindo do L.A. Tap fest.

Foi muito bom ver o desempenho de todos esses alunos gerados dos festivais brasileiros e com destaque para o Tap In Rio que abriu muitas portas para esses jovens. Gostaria aqui de poder mostrar em palavras, mesmo não conseguindo expressar tamanho sucesso, o quanto incrível foi o nosso BRASIL nos dois maiores festivais de sapateado dos Estados Unidos.

Quero agradecer imensamente, não cansando de repetir, o festival TAP IN RIO e todos os impecáveis professores desses talentos que estão vindo e dos muitos que viram. Não desistam… estamos cada vez mais fortes, e juntos podemos mais ainda!

Obrigado meus amigos pela paciência.

Humberto Favari, ganhador da bolsa para DC Tap Festival, em Washington, escreve: “Quando participei do Tap in Rio no começo deste ano, já sabia da iniciativa dos organizadores para facilitar este intercambio de sapateadores brasileiros para festivais importantes no exterior a qual eu apreciava muito. Vistas de fora, as bolsas oferecidas são uma grande oportunidade de desenvolvimento técnico e rítmico para sapateador, além da chance de divulgar seu trabalho, e consequentemente o sapateado brasileiro, em terras estrangeiras. Mas a vivência vai muito além disso. Professores considerados os melhores sapateadores da atualidade, ritmos e estilos variados, novos passos e técnicas, sapateadores de todas as partes do mundo, cada um com algo novo pra mostrar e tudo isso entrando em sintonia numa melodia única, onde tudo é valorizado. Até mesmo o silencio fazia parte desta melodia, e não me refiro só as pausas entre um passo e outro, mas a todo momento em que via-se, pensava-se, aprendia-se, enfim sentia-se o sapateado dentro de nós. E foi este sentimento que eu trouxe comigo de volta para o Brasil. Sentimento que me motiva e que me faz continuar aprendendo e crescendo cada vez mais.

Em vários momentos no DC TAP FESTIVAL, nós, brasileiros recebemos agradecimentos pela nossa presença e elogios, mas um deles em especial me marcou muito e sinto-me na obrigação de passa-lo a diante. Durante uma das aulas em Washington, Chloe Arnold falava sobre a importância de dançar o sapateado não apenas com os pés, mas com a alma e o coração, expressando através deles tudo o que se sente. Eu estava atento para não perder nada do que era dito quando a Chloe me olhou e agradeceu por sorrir enquanto ela falava. Meu sorriso demonstrava minha atenção, e a importância dada a tudo que ela falava. Um simples sorriso, que eu mesmo nem havia percebido que estava estampado em meu rosto e que nunca imaginei que pudesse receber um agradecimento por ele. Era um sorriso verdadeiro, representando tudo o que eu sentia ali, cercado de sapateado e o agradecimento vai muito além de mim, ele cabe também ao Tap in Rio que me deu o “empurrão” para viver tudo que foi o DCTF pra mim.

Este, e o meu mais sincero muito obrigado ao Tap in Rio.

Gabriel Fernandez Tolgyesi  sobre sua participação no Chicago Human Rhythm Project, bolsa ganha no Tap in Rio 2010. “Uma oportunidade única, inigualável. Pequenas pérolas, pequenas jóias que foram apre(e)ndidas e colocadas nos meus bolsos. Passos, ritmos, a técnica de um dos lugares de onde tudo começou. Bebedor da fonte; água tão pura que uma vez experimentada tem-se vontade de mais e mais. Não só: uma fonte contaminada pelos mais diversos países. A confirmação de que aqui (Brasil) estamos crescendo sim, só não nos valorizamos o suficiente (apesar de miscigenarmos e enriquecermos o sapateado com ritmos e cores). Não foram só as aulas: as pessoas lá respiram o sapateado de tal forma que aqui é ainda pouco visto (mas visto). Musicalmente e sinestesicamente aprimorados nos mais diversos estilos. Chicago, a ‘cebola fedida’ na língua dos índios nativos, me faz cheirar saudade. Chicago, a cidade dos ventos, mudou as direções daquilo que quero e daquilo que faço, mudou os referenciais (de técnica, estilo, sapateado). É um marco de mudança, de querer crescer mais e mais, e mais que isso, ser sempre grato a todos os meus mestres do sapateado no Brasil e no mundo. Um que influencia o outro que influencia o outro: isso é o sapateado – contagio direto. Obrigado meus mestres, obrigado Tap in Rio.”

Melissa Tannús, sobre o mesmo festival, escreveu: “O ‘Rhythm World’ foi mais do que apenas uma oportunidade de participar de um festival de sapateado nos EUA, foi uma experiência de vida inesquecível, afinal, como esquecer a emoção de viajar para um dos berços do sapateado americano? Ou a honra de aprender com alguns dos maiores sapateadores do mundo e também, com outras formas de produzir sons com o corpo, uma vez que vivemos em um ‘Mundo de Ritmos’ ? Mas esse aprendizado foi muito além do tablado e do espelho da sala do CHRP, começou no tablado e no espelho do Tap in Rio com a anunciação das bolsas, e se espalhou pelas ruas de Chicago, pelos diversos países de origem dos alunos através do intercâmbio de estilos, e pelo palco, onde vi apresentações que me tiraram lágrimas dos olhos e onde, também, levei um pouco do espírito do nosso Brasil através de um solo. E como o que se aprende nunca se esquece, tudo isso me fez crescer como aprendiz, professora e sapateadora. Trouxe e guardo comigo um pouco de cada professor, de cada performance, de cada estilo e de cada sensação para compartilhar e, quem sabe assim, fazer com que outras pessoas sintam um pouco do que eu senti.

Chicago me deu outros olhos, outros horizontes e um objetivo claro: investir e crescer nessa arte que quero para a minha vida. Sou eternamente grata pela experiência inesquecível. Obrigada mestres, alunos e todos que ajudaram com a viagem, e principalmente, muito obrigada Lane e Tap in Rio pela oportunidade, espero que muitos outros sapateadores possam tê-la também.”